sabores mesa palavra AO Padre José da Silva Lima acaba de oferecer aos leitores o terceiro e último volume da sua trilogia “Sabores à mesa da Palavra”, sob a chancela das Edições Salesianas e dedicado ao Ano A do ciclo litúrgico dominical.

O autor propõe-se guiar os leitores na arte de apreciar e saborear os distintos paladares da Escritura, tal e como nos é servida na refeição eucarística dominical. Pensemos em Ezequiel (3,3) que afirma que o rolo da Palavra é doce enquanto João (Ap 10,10) completa com a amargura que provoca nas entranhas! O título é eloquente, é legitimamente alto-minhoto! Logo na p. 13 podemos ler um louvor ao Verbo de Deus: “Uma Palavra outra que dá sabor a quem a ouve ou lê. (…) Uma Palavra que não se impõe, mas que ecoa de mansinho no interior de cada um: É a Palavra que dá sabor ou que tem sabor, sem pedir o paladar a ninguém. Empresta gosto (sabor) novo aos acontecimentos singulares de cada um”.

Tem o mérito de não ser um homiliário de fast-food. Não são textos-modelo, já prontos ou pré-cozinhados, para serem aplicados ou repetidos em toda e qualquer assembleia. São textos que ajudam à meditação pessoal e comunitária da Palavra, antes da sinaxe dominical. Tem também a vantagem de fazer uma apresentação progressiva do evangelho de Mateus através de notas simples e ricas. Introduz a estrutura mateana nas pp. 10-12, mas continua a recordá-la nos momentos mais oportunos. Aqui e além chama a atenção para este ou aquele pormenor, este ou aquele versículo e, sobretudo, faz um enquadramento da perícope evangélica no tempo litúrgico. Como, por exemplo, nas pp. 34-36, quando explica que o “Natal vem depois da Páscoa”. Em cada Domingo, apresenta as citações bíblicas e o texto integral do fragmento evangélico. Em seguida, após uma brevíssima introdução geral, oferece três ou quatro chaves para descobrir a harmonia bíblica da celebração.

O estilo é o mesmo ao qual já nos habituou, numa elegante prosa poética, com uma voz madura de quase quarenta anos de ministério sacerdotal, de ensino e de pregação. É interessante a reflexão do Domingo de Páscoa, nas pp. 83-85, donde salta das memórias de infância sobre a visita pascal para a proposta do esclarecido teólogo pastoralista que é: «O pregão pascal subsiste e perdurará para sempre (…) é um assunto de todos (…) as povoações inventaram outras formas do mesmo anúncio (…) A falta de clero a isso ajuda (…) Pastoralmente, importa anunciar Cristo ressuscitado, sendo o modelo sempre a reinventar».

Para que não haja dúvidas da importância da poesia, cita Roger Garaudy: “Deus não é da ordem das palavras e das coisas, é da ordem dos poemas. Não pode ser falado que por imagens. Deus é ato de Amor, ato libertador”. (nota 96, p. 277). E, talvez por isso mesmo, a reflexão do XXXIV Domingo Comum não podia ser senão um poema de 12 estrofes que resumem o ano litúrgico: “Do Advento ao Cristo Rei / correm os dias de um ano. / Bem depressa os andei / como faz a voz num fado”…

O volume termina com um índice temático da trilogia nas pp. 279-289. Trata-se de uma ajuda significativa para a preparação da liturgia dominical e que pode ser útil não só aos pregadores, mas também (e, talvez, sobretudo) aos agentes de liturgia (leitores, acólitos e grupos corais) que desejam compreender melhor os textos que cada Domingo manuseiam, proclamam e cantam.

Talvez os aspectos menos positivos desta colecção sejam o grafismo da capa que fica aquém do que a obra merece (curiosamente as cores deste volume A são as menos chocantes) e o prometido CD-rom da p. 278 que não foi disponibilizado.

Apraz-nos registar que esta é a segunda colecção de propostas litúrgico-homiléticas que um sacerdote da nossa diocese publica. A outra obra chama-se “Sementes de Evangelho”, foi publicada pelo Secretariado Nacional de Liturgia e é da autoria do Mons. José Caldas e das religiosas Maria José Oliveira e Conceição Borges.

Ao Padre José Lima, ao agradecer-lhe este trabalho, apresentamos os votos de que o desejo revelado há poucos dias de publicar um quarto volume com um estudo do evangelho de João e outros textos temáticos se realize, para nosso benefício. E ao leitor dizemos a nossa certeza a propósito daquilo que o autor afirma na p. 13: “Este livro foi escrito para seres feliz”.

P. Pablo Lima

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